segunda-feira, 9 de julho de 2012
Me ouça
Deus, o que acontece comigo?
És tu que implantas isto na minha vida?
És tu que me bagunças desta forma?
Pra que? Com que propósito?
Cada manhã um pensamento
Cada tarde uma dúvida ou uma certeza
Cada noite uma lágrima
Cada madrugada... Ah essas malditas madrugadas!
Por que Deus?
Por que assim? Desta forma?
O que Tu tens guardado pra mim?
Se depende de mim, o que devo fazer então?
Por que não me mostras?
Onde está o caminho que devo seguir?
Para toda vida para todo sempre
Na saúde e na doença
Até que a morte nos separe?
Por que fazes isso?
Por que comigo?
Onde erro?
Onde errastes?
Onde erraram?
Juro Deus,
Me mostres
E eu vou.
Só quero ouvir tua voz, e mais de ninguém.
sábado, 16 de junho de 2012
Sol
Eu nunca fui de pedir muito, o Senhor sabe, sou orgulhosa até pra orar. Hoje eu queria pedir Sol. E não tem problema se chover, se ficar nublado, ou se der aquelas ventanias que me assustam desde menina, eu só quero um pouco de luz. Tenho tido dias difíceis, na maioria dos dias tenho dormido antes de conseguir orar, Te juro que não é por mal, é cansaço. Cabeça cansada, corpo cansado e a vida não para né? Quando tenho um tempinho, desligo a música e falo com o Senhor. Mas é sempre pouco tempo e eu falo muito, não tem jeito, sempre esqueço de algo. Obrigada pela paciência dos últimos tempos, apesar da fase ruim, obrigada pela calma que tenho tido. Não tenho sido boa filha, nem boa irmã, nem boa amiga e isso me frustra, sou perfeccionista demais. Tenho tido medo, Pai, muito medo. Medo às vezes, do que nem conheço, do que nunca me fez mal, tenho tido medo da vida. Fiz mal pra pessoas que não mereciam e não fiz por querer, mas agora não sei como reparar. As pessoas são cruéis, cruéis a um nível que nunca tinha percebido, há nos seres humanos uma certa irracionalidade que me deixa triste. Triste a um nível que eu também nunca tinha percebido como é possível ficar. Por isso me deixei apagar, saí desse monte de besteiras. Tenho sido vã. Tenho vivido como se a vida fosse pra sempre e eu pudesse simplesmente me desligar um pouco e esperar que tudo passe. Tenho relevado coisas que não deveria. Tenho sido omissa. É que ando sem forças. Por isso queria te pedir hoje, bastante Sol. Sol que me de vontade de sair e sorrir e gostar de novo das pessoas. Sol que ilumine a minha fé. Eu quero um Sol que ponha luz sobre todos os problemas escuros que tenho tido. Eu quero um Sol que esquente todo esse frio em mim. Eu tenho medo de me tornar alguém triste. E lá vou eu falando de medo de novo... Eu tenho medo, Pai. Eu não quero ser triste, nem fria, eu não quero ser mais alguém que sofreu e morreu por dentro. Eu quero Sol. E se não for pedir muito, cuide de todos aqueles que já pediram ao Senhor por mim, mesmo que eu não saiba o nome deles. Todos que vivem com amor e por amor nessa vida bagunçada da gente aqui embaixo. Que as alegrias cheguem e que as tristezas sejam esquecidas, que a paz reine e que o amor sobreviva. Que nada me sufoque e que a maré baixe. Sol, Pai é só isso que eu te peço. Amém.
Por Thaís Cinotti via http://womanizando.blogspot.com.br/
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Coisas de tumblr
Não eram parecidos, mas de algum modo se entendiam. Não eram perfeitos, mas por alguma razão se amavam.
por Larissa Zacher via http://chora-que-eu-volto.tumblr.com/
por Larissa Zacher via http://chora-que-eu-volto.tumblr.com/
O que são elas?
No jardim de uma casa onde moravam três belas irmãs, o botão perguntou a rosa:
- O que é aquilo?
- São mulheres ora! Responde a rosa.
- E para que elas servem?
- Eu não sei explicar-lhe com exatidão. Mas são seres estranhos.
- Por quê estranhos? O que fazem de estranho?
- Quando alguma delas vêm aqui no jardim, sempre têm comportamentos variados. Ás vezes chegam tristes, sentam-se no banco ou na grama e ficam olhando as flores e chorando, ás vezes trazem fotos ou cartas e ficam fitando-as como se as coitadas pudessem responder-lhes algo. E ás vezes chegam muito felizes, saltando feito pulga, cantando feito passarinho. Acariciam nós flores, e ficam suspirando como se o ar tivesse cheiro de morango.
- Nossa! Que esquisito! Será que isso dói?
- Acho que não, porque elas fazem isso com frequência.
- E por que são assim? Tão bonitas, enfeitadas e perfumadas?
- Não sei, mas acho que já foram criadas assim. Existem vários tipos delas. Algumas têm o cabelo dourado, que parece ouro. Outras têm a pele bem branca quase transparente e outras uma pele bem escura, linda de se vê. Algumas são vazias de carne sabe? E outras cheias e têm a mesma formosura. Umas são pequenas e outras altas. Mas vou te dizer, ainda não vi nenhuma que não despertasse minha curiosidade, assim como está despertando a sua.
- Parece instigante conhecer todos os tipos delas.
- E é mesmo. Mas não esqueça, são estranhas.
- Não vou esquecer.
- Mas te digo uma coisa... o mais instigante são eles, os homens, o sexo oposto a mulher.
- E por quê são mais instigantes?
- Por quê mesmo elas sendo seres tão estranhos, tão instáveis, eles vêm todos bobos e felizes, arranca-nos de nossas raízes, e geralmente arrancam muitas de nós, e nos dão nas mãos delas e elas adoram.
- Nossa! Isso sim é estranho!
Alessandra Rodrigues.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Ouvir e escutar - Crônica
Um homem e uma mulher, aparentemente casados, digo aparentemente casados pois os mesmos aparentavam uma idade um pouco avançada, aproximadamente 40 ela e 50 ele. Estavam sentados á mesa de um restaurante em um shopping. Ela cheia de sacolas de lojas femininas a sua volta e ele com uma sacola de uma sapataria masculina. Estavam bem vestidos, com roupas de grife importada. Ele de cabelo grisalho e ela de cabelos ruivos muito bem pintados e escovados. A mulher apresentava-se com uma maquiagem singela para o dia, unhas pintadas de vermelho e jóias douradas, podendo ser de ouro. Ele vestia uma camisa social com um casaco de linho sobre os ombros com as mangas amarradas, sapatos de verniz e um relógio de dar inveja Ou seja, era um casal bem sucedido. No começo, quando se sentaram ao restaurante, ficaram calados, fitando o cardápio, ela lia e ao mesmo tempo não lia, ele lia com muito interesse. Ele fez seu pedido, bem completo, parecia estar com fome e ela disse que queria apenas uma água e uma salada de pepino com frango grelhado. Depois de seus pedidos continuaram em silêncio. Pareciam estar irritados. Ele mais que ela. A mulher observava suas unhas e ele olhava em volta do restaurante. Mulheres bonitas e jovens passavam e ele observava e ela percebia e ficava cada vez mais irritada, até que sua voz não conseguiu mais se calar. Ela começou a interrogá-lo, suas pernas começavam a sacudir rapidamente embaixo da mesa, esfregava as mãos tentando se acalmar, mas em vão. Ela falava e falava, seu olhar buscava repostas do marido. Ele apossou-se de um guardanapo que estava sobre a mesa e começou a dobrá-lo, em sinal de que queria fazer qualquer outra coisa, menos ouvi-la. Ela cheia de emoções que com certeza não queria sentir, arrancou-lhe o guardanapo das mãos e com uma voz grave e alta lhe pediu atenção. Não só ele, mas como todos que estavam a sua volta lhe deram a atenção que desejava. Ele com um olhar de repressão e vergonha, e as pessoas com olhar de curiosidade e piedade daquela mulher. O garçom aproximou-se e perguntou se precisavam de alguma coisa, mas na verdade queria pedir para que se acalmassem. A mulher baixou a cabeça e o marido respondeu que não, que estava tudo bem, mostrando que entendeu o recado. Então finalmente olhou para sua mulher, segurou sua mão. A mesma retribuiu o olhar esperando o que este lhe diria. E ele disse: -" Há 27 anos eu realizo todas as suas vontades, seus pedidos, seus desejos, como hoje aqui neste shopping que você comprou tudo o que quis. Há 27 anos eu te ouço, ouço tuas lamentações e angústias, mas não te escuto. Ouvir até um surdo pode, escutar não, ele precisa do tato e do cheiro para escutar. E assim sou eu, não te escuto, apenas de ouço. E será assim quanto mais Deus permitir". A mulher entendeu o que o marido quis dizer. Soltou sua mão e perguntou: -"Mas por que você não pode me escutar? Por que você só me ouve? E ele respondeu: _" Por que eu cansei de tentar e cansei de não ser escutado também, só retribuo a sua gentileza". Os dois se deram por conformados e entenderam que naquele momento ambos foram escutados e não apenas ouvidos, ambos disseram e não apenas falaram.
Alessandra Rodrigues
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