terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Crônica - Testamento dos sentimentos

    Depois de assistir um filme em que a mocinha morria nos braços de seu amado, comecei a refletir sobre a morte. Não necessariamente sobre a morte, como ela deve ser e o que sentimos, e se sentimos algo, depois dela; mas sim sobre o que a morte causa nos vivos. A dor da perda, o vazio, a inconstante angústia de saber que a pessoa que morreu, sendo ela boa ou má, bonita ou feia, velha ou nova, não vai mais aparecer entre nós. Pensei nas pessoas que possuem muitos bens materiais, muitas riquezas e como deve ser escrever seu próprio testamento. Imagino como seria dividir o que você demorou uma vida inteira para construir num simples papel. E como seria, um testamento dos sentimentos? Como seria dividir os sentimentos que você levou, talvez, a vida inteira dentro de si e que depois de certo momento (a morte), quem sabe você não o sentiria mais e os tivesse que designar para certas pessoas.
   Mas não seria bizarro, as pessoas ficarem sabendo dos sentimentos dos outros depois que se forem? Não seria muito mais proveitoso se esses indivíduos ficassem sabendo e pudessem retribuir, em vida? Já imaginaram: Deixo meu ódio para aquele vizinho, todo o meu amor para meus filhos, toda a minha compaixão para meu tio, toda a minha humildade pra minha cunhada e toda minha alegria para meus primos!
Seria maravilhoso ou seria um fardo!



PRINCIPAIS CONCURSOS PÚBLICOS PARA 2011

MINISTÉRIO DA FAZENDA:
300 vagas de analista técnico administrativo (3º grau)
Salário: R$ 3.500

PETROBRAS:
Diversas vagas para nível médio, técnico e superior.
Salário: R$ 1.801 á R$ 6,217

POLÍCIA CIVIL:
300 vagas para inspetor, 100 p/ perito criminal, 100 p/ papiloscopista, 50 para delegado, 44 para perito logista e 44 para piloto.
Salários não informados.

FIQUEM ATENTOS E ESTUDEM! A HORA É ESSA!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Amizade



Algo tão sincero
Surge sem querer
Só de ver.




Sem interesses,
fundamentos ou argumentos,
simplesmente nasce.




Nasce, constrói raízes,
fortifica-se, e floresce.
É sem maldades,
mentiras ou falsidades.




Só se sente,
Sente e ama,
Ama e cuida,
Cuida e acalenta.




Quem seríamos sem ela?
Nulos?
Não há resposta para o impossível.
Quem é ela?




A amizade.
Mas não a amizade em disfarce
Mas sim a amizade eterna...
Aquela que só sente.
Sente e ama
Ama e cuida
Cuida e acalenta.




Alessandra Rodrigues.

sábado, 2 de outubro de 2010

Por Pamella Cardoso

Mais um texto da minha querida e talentosa sobrinha Pamella!


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SER DE MENOS?


Passamos muito tempo de nossas vidas tentando entender tudo o que se passa ao nosso redor; tentando ser melhores naquilo que fazemos e, na hora do fracasso, até pensamos em desistir, - alguns até desistem, por medo ou falta de confiança - passamos mais tempo querendo ser mais. Ser mais até que os outros. Ser mais, mais e mais. A verdade é que ninguém nunca pensou em ser menos, menos arrogante, menos esnobe, menos crítico, menos tudo. O que eu quero dizer é que, ser mais em tudo, não é ser mais na vida. Tudo o que é em excesso acaba nos fazendo mal, acabamos deixando que isso suba a cabeça tomando conta de todo o nosso corpo e de todas as nossas vontades, nos fazendo surtar dentro de um mundo que nós mesmo criamos. Os que são demais, nunca saberão o que é simples se nunca forem de menos, se nunca fracassarem. Ser de menos em geral. Isso trás maturidade e faz com que aprendamos a dar valor as coisas mais simples da vida. Cada detalhe, cada tudo é importante. Ser de menos é ter humildade o suficiente para que alguém te olhe e te ache demais.


Pamella Cardoso


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Autopsicografia - Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só as que ele não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entrerter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.


Fernando Pessoa


Nota: Esse poema de Fernando Pessoa retrata a alma do poeta, a capacidade de expor em seus poemas a dor, o amor, a agunia, a inquietude que muitas vezes não sente, mas finge tão intensamente, que o leitor consegue sentir.

Luís Fernando Veríssimo





Pensando bem em tudo que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa, faz tudo certinho! Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor... A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é pra na hora de vocês se encontrarem, a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, talvez te magoe e depois te encha de mimos, pedindo perdão. Essa pessoa pode não estar cem por cento do tempo ao seu lado, mas vai estar cem por cento da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo... E só assim é possivel chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo"! Quando na verdade, tudo o que Ele (Deus) quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem realmente a funcionar certo!












Luís Fernando Veríssimo

sábado, 14 de agosto de 2010

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.




Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,

se é que virão.




O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.




Entretanto, você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe e nem saberá.




Carlos Drummond de Andrade.






Drummond é um dos maiores e melhores poetas brasileiros contemporâneos.