sábado, 2 de outubro de 2010

Por Pamella Cardoso

Mais um texto da minha querida e talentosa sobrinha Pamella!


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SER DE MENOS?


Passamos muito tempo de nossas vidas tentando entender tudo o que se passa ao nosso redor; tentando ser melhores naquilo que fazemos e, na hora do fracasso, até pensamos em desistir, - alguns até desistem, por medo ou falta de confiança - passamos mais tempo querendo ser mais. Ser mais até que os outros. Ser mais, mais e mais. A verdade é que ninguém nunca pensou em ser menos, menos arrogante, menos esnobe, menos crítico, menos tudo. O que eu quero dizer é que, ser mais em tudo, não é ser mais na vida. Tudo o que é em excesso acaba nos fazendo mal, acabamos deixando que isso suba a cabeça tomando conta de todo o nosso corpo e de todas as nossas vontades, nos fazendo surtar dentro de um mundo que nós mesmo criamos. Os que são demais, nunca saberão o que é simples se nunca forem de menos, se nunca fracassarem. Ser de menos em geral. Isso trás maturidade e faz com que aprendamos a dar valor as coisas mais simples da vida. Cada detalhe, cada tudo é importante. Ser de menos é ter humildade o suficiente para que alguém te olhe e te ache demais.


Pamella Cardoso


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Autopsicografia - Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só as que ele não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entrerter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.


Fernando Pessoa


Nota: Esse poema de Fernando Pessoa retrata a alma do poeta, a capacidade de expor em seus poemas a dor, o amor, a agunia, a inquietude que muitas vezes não sente, mas finge tão intensamente, que o leitor consegue sentir.

Luís Fernando Veríssimo





Pensando bem em tudo que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa, faz tudo certinho! Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor... A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é pra na hora de vocês se encontrarem, a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, talvez te magoe e depois te encha de mimos, pedindo perdão. Essa pessoa pode não estar cem por cento do tempo ao seu lado, mas vai estar cem por cento da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo... E só assim é possivel chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo"! Quando na verdade, tudo o que Ele (Deus) quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem realmente a funcionar certo!












Luís Fernando Veríssimo

sábado, 14 de agosto de 2010

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.




Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,

se é que virão.




O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.




Entretanto, você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe e nem saberá.




Carlos Drummond de Andrade.






Drummond é um dos maiores e melhores poetas brasileiros contemporâneos.

sábado, 7 de agosto de 2010

O amor é uma droga

O amor é como uma droga. No começo vem a sensação de euforia, de total entrega. Depois, no dia seguinte, você quer mais; ainda não viciou, mas gostou da sensação e acha que pode mantê-la sob controle. Pensa na pessoa amada dois minutos e esquece por três horas. Mas aos poucos você se acostuma com aquela pessoa e passa a depender completamente dela. Então, pensa por três horas e esquece por dois minutos. Se ela não está por perto, você experimenta as mesmas sensações que o viciado tem quando não consegue a droga: sente falta, parece que algum órgão seu foi retirado. Neste momento, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, o indivíduo que ama, está disposto a fazer qualquer coisa por amor.

(PAULO COELHO)
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PS: Tenho que grifar que não sou fã, admiradora e muito menos leitora de Paulo Coelho. Com todo respeito, até porque a literatura tem espaço para todos. Mas a literatura de Paulo Coelho não é a do tipo que se enquadra nos padrões que prefiro. Mas esse texto, em particular, sempre tive como interessante.

domingo, 18 de julho de 2010

Dúvidas




Dúvidas








As dúvidas são...
os caminhos da alma,
uma mistura de desejos;
desejos pela dor,
desejos pelo amor,
pelo carinho,
pela aventura.




Nenhum ser é provido de dúvidas
No fundo, cada qual sabe domar suas vontades
mas há o medo,
o medo de ser o errado
o medo de ser o certo demais
o medo de ser perfeito.


Daí as dúvidas...


A dúvida corrói
castiga
maltrata
ou acalenta
incentiva
sacia...
A verdade é que,
todo ser vive na dúvida
Mas a pior e mais amaldiçoada,
é a dúvida de que poderia ter dado certo.




A.O.R

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Filho de peixe, peixinho é!






Um pequeno e merecido espaço para Luís Fernando Veríssimo, filho do renomado Érico Veríssimo e escritor que mais vende livros no Brasil. É consagrado por seu estilo humorístico e uma série de cartuns e histórias em quadrinhos. O primeiro livro "O Popular" foi publicado em 1973. Atualmente o autor escreve para os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e O Globo. Algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros.
Segue um texto de sua autoria:

"Minha mulher e eu temos o segredo de fazer um casamento durar: duas vezes por semana vamos á um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu às quintas. Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha em São Paulo.
Eu levo minha Mulher à todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei à ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento "em algum lugar que eu não tenha ido á muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas... se eu soltar, ela vai ás compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: "Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar para sentar". Daí comprei para ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número um para o divórcio. Estatísticamente, 100% dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa". Só não sabia que o nome dela era "sempre".
Já fazem dezoito meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. Mas, tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: "O que tem na TV?" E eu disse: "Poeira!"

Por Luís Fernando Veríssimo